Com mais de 30 mil voluntários e 3.043 urnas disponíveis o movimento
questiona a criação de um novo país

Diante da repercussão do plebiscito catalão (a votação pela
independência da Catalunha em relação à Espanha venceu no dia 1.º de outubro),
o movimento Sul é o Meu País vai promover neste sábado (7/10) uma consulta
popular com a pergunta: “Você quer que Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do
Sul formem um país independente?”.
Com mais de 30
mil voluntários e 3.043 urnas disponíveis, os organizadores sonham com a
participação de mais de 1 milhão de votantes assinalando a opção “sim”. “Se,
assim como ocorreu na Espanha, o governo central quiser pelear, nós também
vamos pelear pelo nosso direito”, disse o coordenador do movimento, o
jornalista Celso Deucher.
Apesar da disposição
de pelear, nenhuma repressão ao plebiscito é esperada. De fato, o resultado
favorável à separação não terá nenhuma consequência prática. “Trata-se de uma
votação simbólica, mas que vai servir como coleta de assinaturas para pressionar
o Congresso para, em 2018, aprovar um plebiscito oficial, que deve ser
realizado com a eleição presidencial”, afirmou Deucher.
Segundo os organizadores, a condição
mínima para votar é que o eleitor seja maior de 16 anos e morador de um dos
três Estados. Ainda segundo a organização, o custo do plebiscito ficou em torno
de R$ 25 mil, dinheiro que teria sido arrecadado pelos próprios colaboradores
do grupo.
Deucher nega que o movimento tenha
como base o preconceito em relação às outras regiões do País, mas deixa escapar
pensamentos como: “Estamos cansados de trabalhar aqui embaixo enquanto os de
cima aproveitam do banquete”.
Ainda não existe uma definição de
como seria a República Sul Brasileira – esse é um nome fantasia usado por
alguns membros do Sul é o Meu País. Existe ainda uma ideia rudimentar de
batizar a própria moeda de “pila” – nome que, segundo Deucher, seria popular na
região.
O grupo quer que o resultado do
plebiscito crie uma pressão popular, mas não deseja conflito com o país chamado
Brasil. “Nossas relações precisam ser de parceria e cooperação”, disse Deucher,
que descarta qualquer impedimento de brasileiros nativos de outros Estados
adentrem ao território sulista no futuro. “Não pensamos nas coisas de
passaporte, por exemplo.”
Os separatistas ainda não encontram
uma forma de equacionar a questão dos sulistas aposentados pelo “país vizinho”.
Será que o governo brasileiro seria o responsável por pagar essas
aposentadorias? Não se sabe. Como proposta, Deucher diz que o novo país pode
ter vereadores não remunerados e a possibilidade do advento de prefeitos
contratados – que poderiam ser despedidos ao primeiro sinal de fraqueza.
Para o cientista político Rodrigo
Augusto Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, esse tipo de
movimento nasce “da nossa dificuldade de realizar uma reforma política e
tributária”. “A sensação de que alguns Estados são prejudicados pela União cria
esse tipo de movimento, que mesmo inconstitucional, tende a crescer e se
espalhar por várias regiões.”
Metrópoles
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