
A sessão desta terça-feira, 7 de novembro, na Câmara Municipal foi
marcada por vereadores que subiram à tribuna para questionar ações da empresa
Vale na região, especialmente, em Marabá, Pará. O primeiro a criticar a mineradora
foi o vereador Tiago Koch, que lembrou aos colegas sobre o processo de expansão
do projeto Salobo e que a Vale trata em sigilo, não respondendo de forma
satisfatória aos questionamentos dele e da comunidade diretamente afetada pela
exploração na região onde ocorre o empreendimento, com vistas à ampliação das
fases 2 e 3 do Salobo. “As áreas de três vilas estão sendo pesquisadas. Há
pessoas andando a pé, realizando topografia, rodando pelo rio, mas Vale não
informa nada”.
O vereador ainda colocou que a comunidade questiona os parlamentares
sobre informações do projeto, mas a Vale não responde nada. “Eles estão
pesquisando na região do Rio Tapirapé e toda a região. Nos três Projetos de
Assentamento há cerca de 1.500 lotes e os camponeses não sabem de nada que está
acontecendo. Há em andamento o Salobo 2 e 3. Não querem noticiar agora para dar
informações a ninguém”.
Por fim, Tiago afirmou que mesmo que a empresa não tenha esclarecido os
pontos solicitados pelos vereadores e não tenha dado importância às indagações,
é notório que existe um projeto de expansão do Salobo e é necessário que haja
maior diálogo com a comunidade local, bem como com os representantes da
população de Marabá. “Estão, sim, fazendo pesquisa exploratória e negam.
Lamentavelmente, aquela região é precária em relação à saúde, educação,
estradas. Se esse projeto vier a acontecer, vamos cobrar da Vale melhor
estrutura para lá”, enfatizou Tiago, concluindo que as vilas precisam ser
beneficiadas.
O presidente da Câmara, vereador Pedro Corrêa, disse que tem observado,
nos últimos tempos, um posicionamento da Vale com um pouco de descaso no
cumprimento das condicionantes dos projetos desenvolvidos pela mineradora com a
comunidade, e nas respostas de documentos enviados pelo Poder Legislativo.
“Teremos uma reunião e visita no projeto Salobo para conhecermos o projeto e
verificar suas instalações. Devemos cobrar da Vale para que as condicionantes
atendam parte das expectativas da comunidade e cumpram os benefícios
acordados”.
O vereador Márcio do São Félix, líder do Governo, também criticou a
forma como a Vale vem tratando o município de Marabá. Para ele, existe uma
solicitação da Secretaria de Obras para que a mineradora doe trilhos de trem
para serem utilizados pelo município em obras nas ruas da cidade e toda vez a
empresa protela a parceria.
O vereador Tiago Koch também criticou a liberação do material pela Vale.
“Há cerca de 40 km de trilhos usados que não têm mais serventia. Eles não
facilitam para entregar para Prefeitura para construir mais pontes na zona
rural. Temos de mobilizar a população para não aceitar mais ninguém em suas
terras e vamos atrás do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) para
tentar obter mais informações sobre o projeto”.
O vereador Alecio Stringari usou a palavra e seguiu no mesmo tom. Para
ele, a Vale costuma atender à solicitação de vir a Câmara, mas não respeita a
Casa quando “dá as costas” a um pedido de informações. “Ela (a Vale) ignora os
vereadores, mas não vamos deixar de fazer a nossa parte, temos de ter e dar
resposta para a sociedade. A questão dos trilhos é um absurdo. Para se doar
trilho agora tem de ser informado onde será colocado?”.
Por fim, o vereador Ilker Moraes sugeriu que o engenheiro da Câmara
acompanhe os vereadores na visita ao projeto Salobo. Ele alertou que é
importante uma visita à barragem de rejeitos do projeto, porque há várias
denúncias de poluição dos rios e afluentes, afetando o meio ambiente.
RESPOSTA DA VALE
No ofício de resposta ao Gabinete do vereador Tiago Koch, a Vale informa
que não tem nenhum projeto de pesquisa às proximidades das vilas Bandinha, que
está no PA Volta do Tapirapé, Boa Vista, Volta Grande, Serra Sul e Vila Serra
Azul, ressaltando que as mesmas estão a norte da reserva biológica, uma área de
proteção permanente. “O fato é que os moradores dessas vilas viram uma pequena
equipe (dois carros e oito pessoas) fazendo visita na região, mas sem nenhuma
intenção de exploração mineral”.
A Vale garante que as comunidades de
abrangência do Projeto Salobo estão no município de Parauapebas, mapeadas e
identificadas de acordo com os estudos ambientais e condicionante de
implantação e operação do projeto. “Portanto, não existe uma abrangência nas
comunidades” acima citadas. (Ulisses Pompeu)
Correio de Carajás
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