| Segundo Ualame Machado, após chegar a autorização, a PF irá instaurar inquérito (Foto: Ricardo Amanajás) |
A Polícia Federal (PF) no Pará ainda não
foi notificada sobre a autorização do Ministério da Justiça para que o órgão
investigue as circunstâncias das mortes de 10 pessoas na fazenda Santa Lúcia,
em Pau D’Arco, no último dia 24. Apesar da circulação de informações que
apontam a permissão, a PF só poderá instaurar qualquer inquérito sobre o caso
após o recebimento de documento oficial. Superintendente da Polícia Federal,
Ualame Machado informou que, até o final da manhã de ontem, apenas algumas
mensagens de texto encaminhadas por rede social tinham chegado até o
conhecimento da PF, o que impedia que dessem início a qualquer trâmite de investigação.
“Caso
recebamos o documento, será de pronto instaurado o inquérito policial. Porém,
até o momento, nós estamos ainda sem ter ciência integral dessa possível
autorização”, explicou, pela manhã. A reportagem ligou à noite para a PF do
Pará e foi informada que autorização ainda não tinha chegado.
APURAÇÃO
Segundo
Ualame, a autorização é necessária já que, por lei, a investigação deste tipo
de caso é atribuição da Polícia Civil, que já iniciou o trâmite desde a
ocorrência das mortes. A Lei nº 10446/2002 determina que a Polícia Federal pode
ser autorizada a atuar em alguns casos, segundo o delegado, desde que haja
requisição do Ministro da Justiça. Entre eles, estão os casos considerados de
violação de direitos humanos, que é o que está se alegando.
Mesmo que
a PF dê abertura ao inquérito, sua atuação não anulará a que já vem sendo
realizada pela Polícia Civil (PC). Como a PC detém a atribuição para investigar
este tipo de ocorrência, ela continuará atuando. Da mesma forma, o caso não
pode ser deslocado para a Justiça Federal. Se a PF for investigar o caso,
qualquer pedido também será feito à Justiça Estadual.
Caso
confirmada a autorização, os próximos passos da Polícia Federal serão a
instauração do inquérito e conhecimento do que já foi levantado pelos outros
órgãos até então. “Caso recebamos a determinação de atuar na investigação, a
primeira medida será instaurar o inquérito policial e solicitar toda a
documentação já produzida”, diz o superintendente da PF.
Ele se refere ao fato de que a Polícia
Civil, o Ministério Público do Estado e o Ministério Público Federal já estão
fazendo diligências e ouvindo pessoas. “Essa documentação é importante para que
possamos tomar ciência de tudo que já foi comprovado e elucidado e, aí sim,
podermos ter uma linha de investigação e verificar o que ainda pode ser feito”,
informou Ualame.
EFETIVO
Quando a
Polícia Federal (PF) receber autorização oficial do Ministério da Justiça para
atuar no caso de Pau D’Arco, deverá enviar reforço para ajudar e dar suporte ao
efetivo que já atua em Redenção. No município, por exemplo, não há peritos da
PF, portanto, tal profissional e outros agentes devem ser encaminhados de Belém
para contribuir com a investigação.
(Diário do
Pará)
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