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| Foto: Evangelista Rocha |
Cerca de 60 estudantes da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
(Unifesspa) e ligados a movimentos sociais ocupam a Unidade I do Campus de
Marabá em ato da Jornada Nacional de Lutas da Juventude Brasileira, em defesa
da educação pública gratuita e de qualidade, por nenhum direito a menos, em
defesa da UNIFESSPA e por melhores estruturas dentro dos campis da universidade.
Amanda Lima, que cursa Ciências Biológicas e é militante do Levante
Popular da Juventude, destaca que o ato foi articulado pela União Nacional dos
Estudantes (UNE), junto dos movimentos sociais. “Todos contra o sucateamento
das universidades públicas. Estamos fazendo essa paralisação aqui porque ela é
uma universidade nova e está muito vulnerável com os cortes”, comentou.
A estudante destaca que uma das unidades do Campus de Marabá que não
está pronta e a Unifesspa vem sofrendo com cortes de recursos. “Há prédios em
construção e precisamos da manutenção de verba. Está havendo corte de bolsa de
pesquisa e na assistência estudantil, o que é abusivo porque as pessoas não
conseguem se manter com R$ 300 por mês, já era difícil com R$ 400 e a verba foi
diminuída”.
Outro ponto defendido pelos ocupantes é o debate acerca da possibilidade
de a universidade pública se tornar paga. Em março deste ano a Câmara dos
Deputados rejeitou por apenas quatro votos uma Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) que autorizava a cobrança de mensalidades em universidades
públicas para as especializações. O projeto chegou a ser aprovado em primeiro
turno um mês antes.
Também em março, um sindicato de professores informou no jornal da
entidade afirmar que a secretária executiva do Ministério da Educação, Maria
Helena Guimarães de Castro, defendeu o fim da gratuidade nas universidades
públicas durante uma reunião. Em nota à imprensa, o MEC negou a fala.
“Estamos na luta para que a gente consiga manter a universidade pública,
estamos contra projetos de cobrança de mensalidade dentro das universidades
públicas. A universidade é paga pelo povo, mesmo que não diretamente. Ela é um
direito e por isso estamos nos organizando nesta jornada de luta”.
Ywri Cortez Ferreira, servidor técnico da Unifesspa, criticou durante
plenária realizada na manhã de hoje, na ocupação, algumas medidas do atual
Governo Federal, como a proposta de aumento da contribuição previdenciária, que
passaria de 11% para 14%. Isso acontece, segundo ele, porque em tempos de suposta
escassez de verbas há uma luta por recursos, de forma que o presidente Michel
Temer tem atuado no sentido de drenar os recursos públicos para alimentar o
capital financeiro. “Temer age como um Robin Hood ao avesso”, define.
Ainda de acordo com ele, essa forma de atuação do atual governo fica
clara quando perdoa dívidas de grandes empresas, mas corta recursos públicos
das universidades, por exemplo. Inclusive, esta semana, o presidente autorizou
a extinção de 60 mil vagas em aberto do serviço público federal.
Ywri alerta também para o fato que vem ocorrendo na Universidade
Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), onde as aulas foram suspensas e os
servidores correm risco de não receberem os salários, e alerta que o mesmo pode
se estender para as universidades públicas federais também. “Às vezes a gente
pensa que o mundo pode acabar, que, mesmo assim, o nosso salário vai estar
garantido. Mas isso não é tão simples assim. O que acontece na UERJ é um alerta
que fica para todos os servidores”, adverte.
Por fim, o servidor federal lamenta o fato de que dez anos atrás, quando
estudantes e trabalhadores da universidade promoviam conferências, protestos ou
ocupações, como agora, a pauta era sempre para cobrar mais investimentos.
Atualmente, destaca, não há mais pauta e a luta é apenas para tentar manter os
parcos recursos que ainda existem. “Lutamos apenas para nos defender dos
cortes”, resume.
A programação desta tarde conta com a
formação de grupos de trabalho para debate do Programa Nacional de Educação na
Reforma Agrária (Pronera) e das demandas locais da universidade, tais quais
combate às opressões, estrutura física, transporte universitário, cotas e
políticas afirmativas. A partir das demandas surgidas destes debates será
formulada a carta de Marabá, divulgada no ato político-cultural que acontece às
19 horas. (Luciana Marschall e Chagas Filho)
Folha de Carajás

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