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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Estudantes da Unifesspa ocupam unidade no Campus de Marabá

Estudantes da Unifesspa ocupam unidade no Campus de Marabá
Foto: Evangelista Rocha
Cerca de 60 estudantes da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e ligados a movimentos sociais ocupam a Unidade I do Campus de Marabá em ato da Jornada Nacional de Lutas da Juventude Brasileira, em defesa da educação pública gratuita e de qualidade, por nenhum direito a menos, em defesa da UNIFESSPA e por melhores estruturas dentro dos campis da universidade.

Amanda Lima, que cursa Ciências Biológicas e é militante do Levante Popular da Juventude, destaca que o ato foi articulado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), junto dos movimentos sociais. “Todos contra o sucateamento das universidades públicas. Estamos fazendo essa paralisação aqui porque ela é uma universidade nova e está muito vulnerável com os cortes”, comentou.
A estudante destaca que uma das unidades do Campus de Marabá que não está pronta e a Unifesspa vem sofrendo com cortes de recursos. “Há prédios em construção e precisamos da manutenção de verba. Está havendo corte de bolsa de pesquisa e na assistência estudantil, o que é abusivo porque as pessoas não conseguem se manter com R$ 300 por mês, já era difícil com R$ 400 e a verba foi diminuída”.
Outro ponto defendido pelos ocupantes é o debate acerca da possibilidade de a universidade pública se tornar paga. Em março deste ano a Câmara dos Deputados rejeitou por apenas quatro votos uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que autorizava a cobrança de mensalidades em universidades públicas para as especializações. O projeto chegou a ser aprovado em primeiro turno um mês antes.
Também em março, um sindicato de professores informou no jornal da entidade afirmar que a secretária executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, defendeu o fim da gratuidade nas universidades públicas durante uma reunião. Em nota à imprensa, o MEC negou a fala.
“Estamos na luta para que a gente consiga manter a universidade pública, estamos contra projetos de cobrança de mensalidade dentro das universidades públicas. A universidade é paga pelo povo, mesmo que não diretamente. Ela é um direito e por isso estamos nos organizando nesta jornada de luta”.
Ywri Cortez Ferreira, servidor técnico da Unifesspa, criticou durante plenária realizada na manhã de hoje, na ocupação, algumas medidas do atual Governo Federal, como a proposta de aumento da contribuição previdenciária, que passaria de 11% para 14%. Isso acontece, segundo ele, porque em tempos de suposta escassez de verbas há uma luta por recursos, de forma que o presidente Michel Temer tem atuado no sentido de drenar os recursos públicos para alimentar o capital financeiro. “Temer age como um Robin Hood ao avesso”, define.
Ainda de acordo com ele, essa forma de atuação do atual governo fica clara quando perdoa dívidas de grandes empresas, mas corta recursos públicos das universidades, por exemplo. Inclusive, esta semana, o presidente autorizou a extinção de 60 mil vagas em aberto do serviço público federal.
Ywri alerta também para o fato que vem ocorrendo na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), onde as aulas foram suspensas e os servidores correm risco de não receberem os salários, e alerta que o mesmo pode se estender para as universidades públicas federais também. “Às vezes a gente pensa que o mundo pode acabar, que, mesmo assim, o nosso salário vai estar garantido. Mas isso não é tão simples assim. O que acontece na UERJ é um alerta que fica para todos os servidores”, adverte.
Por fim, o servidor federal lamenta o fato de que dez anos atrás, quando estudantes e trabalhadores da universidade promoviam conferências, protestos ou ocupações, como agora, a pauta era sempre para cobrar mais investimentos. Atualmente, destaca, não há mais pauta e a luta é apenas para tentar manter os parcos recursos que ainda existem. “Lutamos apenas para nos defender dos cortes”, resume.
A programação desta tarde conta com a formação de grupos de trabalho para debate do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) e das demandas locais da universidade, tais quais combate às opressões, estrutura física, transporte universitário, cotas e políticas afirmativas. A partir das demandas surgidas destes debates será formulada a carta de Marabá, divulgada no ato político-cultural que acontece às 19 horas.  (Luciana Marschall e Chagas Filho)





Folha de Carajás

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