Konstantinos
Georgios Kotronakis é investigado pela Lava Jato por suspeita de receber
propina. Ministério Público havia pedido a prisão preventiva
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| Sérgio Moro também determinou o bloqueio das contas de investigados na Operação Sem Fronteiras, deflagrada nesta sexta-feira (Lula Marques/PT) |
O juiz
federal Sergio Moro proibiu
o cônsul honorário da Grécia no Rio, Konstantinos Georgios
Kotronakis, alvo da Operação Sem Fronteiras,
deflagrada nesta sexta-feira, de deixar o país. O magistrado determinou que a
Delegacia da Polícia Federal de Fronteiras
anote a proibição imposta a Konstantinos.
O cônsul é investigado na Operação Lava Jato. A
força-tarefa apura uma suposta facilitação da contratação de armadores gregos
para o fretamento de navios, tendo como contrapartida o pagamento de propinas.
O Ministério Público Federal havia pedido a prisão preventiva do cônsul. Moro
afirmou que eram “cabíveis tanto a prisão preventiva como a temporária”, mas
decidiu substituir “as medidas mais drásticas por cautelares alternativas”.
“Apesar da viabilidade jurídica da medida, em
virtude da condição do investigado, de cônsul honorário, em deferência ao país
que lhe outorgou tal título, bem como o disposto no artigo 63 do referido
Decreto nº 61.078/1967, resolvo nesse primeiro momento, impor, ao invés de
decretar a preventiva ou temporária, medidas cautelares alternativas, com base
no art. 282 do CPP, de: proibição de deixar o país e a cidade de sua
residência; e entrega dos passaportes”, decidiu o magistrado.
“Expeça-se portanto mandado para intimação de
Konstantinos Georgios Kotronakis acerca desta decisão, para que entregue de
imediato o passaporte ao portador do mandado. Encarrego a autoridade policial
de cumprir o mandado juntamente com as buscas. Concomitantemente, oficie-se à
Delegacia da Polícia Federal de Fronteiras solicitando a anotação da proibição
de que Konstantinos Georgios Kotronakis deixe o país.”
Moro determinou que fosse encaminhada à Embaixada
da Grécia em Brasília uma cópia da decisão “para ciência da restrição, ainda que
limitada, imposta ao cônsul honorário”. O magistrado não autorizou buscas no
Consulado da Grécia no Rio de Janeiro. O juiz da Lava Jato expediu ordens
judiciais para duas residências do cônsul, em São Paulo e no Rio, e outros
quatro endereços ligados ao grego.
“Os mandados
a serem expedidos nos endereços residenciais e profissionais de Konstantinos
Georgios Kotronakis devem conter a ressalva de inviolabilidade dos arquivos e
documentos consulares”, alertou Moro.
Bloqueio
de contas
O juiz
também determinou o bloqueio das contas de investigados na Operação Sem
Fronteiras, incluindo o ex-deputado Cândido Vaccarezza, preso nesta sexta-feira pela PF.
“Considerando os fatos narrados, resolvo decretar o bloqueio das contas dos
investigados até o montante de seis milhões de reais, correspondente
aproximadamente ao montante total pago pela Sargeant Marine a título de
comissão”, determina.
A Sem Fronteiras teve início a partir da delação do
ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e se desenvolveu
com a análise de materiais apreendidos na 13ª fase da Lava Jato, de provas
obtidas mediante a realização de quebras de sigilo bancário, fiscal, de dados
telemáticos e registros telefônicos e de cooperação jurídica internacional.
Segundo o Ministério Público Federal, as apurações
apontam que Paulo Roberto ajustou com o cônsul um esquema de facilitação de
contratação de navios gregos, mediante o fornecimento de informações
privilegiadas e o pagamento de propinas. Esse esquema, afirma a força-tarefa,
era efetivado, num primeiro momento (2008 a 2010), pela intermediação do
operador Henry Hoyer de Carvalho, que já havia sido alvo da 13ª fase da Lava
Jato, e, posteriormente, por intermédio de uma empresa de brokeragem
constituída na Inglaterra e pertencente a Georgios Kotronakis, filho de
Konstantinos.
Os grupos Tsakos e Aegean, dos quais Konstantinos
Kotronakis é, respectivamente, diretor e sócio-administrador, além das empresas
Dynacom Tankers Management, Galbraiths e Dorian Hellas, com as quais o cônsul
grego ostenta vínculos indiretos, formalizaram contratos de afretamento com a
Petrobras, entre os anos de 2009 a 2013, em valores que superam 500 milhões de dólares.
De acordo com a investigação da Lava Jato, ao menos 2% desses valores era
destinado ao pagamento de propina a funcionários públicos corrompidos,
operadores financeiros e agentes políticos.
Os investigadores alegam que há provas de que o
pagamento de propinas era operacionalizado mediante depósitos em contas
offshores controladas por Konstantinos Kotronakis, Georgio Kotronakis, Henry
Hoyer de Carvalho, Humberto Mesquita e Paulo Roberto Costa. No mesmo contexto,
foram colhidos fortes indícios do envolvimento de um ex-gerente da Petrobras
ligado à área de afretamento de navios, no esquema de corrupção que visava
favorecer armadores gregos.
Também foi possível verificar o recebimento de
vantagens indevidas, em benefício dele, em contas ocultas no exterior,
titularizadas por empresas offshores registradas em nome de terceiros. Há,
ainda, evidências concretas de que esse ex-gerente também beneficiou as
empresas Olympic Agencies e Perosea Shipping Co em contratos com a Petrobras.
Agência
Brasil

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