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sábado, 12 de julho de 2014

MPF denuncia delegado federal por morte de índio



O Ministério Público Federal no Pará (MPF) denunciou à Justiça Federal o delegado da Polícia Federal Antonio Carlos Moriel Sanches, suspeito de participar do assassinato do índio Adenilson Kirixi, da etnia Munduruku. Se a Justiça aceitar a denúncia, o delegado será julgado pelo crime de homicídio qualificado, podendo ser condenado a até 30 anos de prisão.
Adenilson foi morto em 7 de novembro de 2012, durante uma operação policial na aldeia Teles Pires, na divisa do Pará com o Mato Grosso. A chamada Operação Eldorado era coordenada pelo delegado e tinha como objetivo desarticular uma organização criminosa que extraía ouro e destruir balsas de garimpo. A quadrilha atuava ilegalmente nas terras indígenas Munduruku e Kayabi.

A Polícia Federal estimou que só uma das três empresas que revendiam o ouro no Sistema Financeiro Nacional movimentou mais de R$ 150 milhões em dez meses de investigações. Os índios recebiam R$ 30 mil por balsa garimpeira ilegal que, carregada, chegava a render aos operadores do esquema R$ 500 mil. Quatorze embarcações foram apreendidas e inutilizadas.

Segundo relatos de indígenas, uma das lideranças da aldeia tentou convencer os policiais a não destruírem as balsas. A partir daí, as versões policiais e indígenas são conflitantes. Os policiais disseram que, na véspera da ocorrência, cerca de 60 índios tentaram invadir o local onde estava o coordenador da operação, ameaçando-o com arcos e flechas. Após horas de negociação, um acordo permitiu que os policiais prosseguissem com a operação. Apesar disso, os policiais afirmam que, no dia seguinte, foram emboscados quando retornavam à área.

Em nota divulgada logo após a ocorrência, a polícia informou que gravações telefônicas feitas com autorização judicial comprovam que os índios planejavam atacar os policiais, que só revidaram as agressões para proteger a si e aos servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e da Fundação Nacional do Índio. Bombas de gás foram lançadas antes que "os policiais usassem a força necessária para reprimir o ataque, tendo em vista o grande número de disparos de armas de fogo vindos da aldeia".

Os mundurukus alegam que não portavam armas e que toda a confusão começou quando o delegado Antonio Sanches empurrou o cacique da aldeia e, por isso, foi empurrado por um outro índio que tentava proteger seu líder. Na confusão, o delegado caiu na água. Os policiais, então, começaram a atirar contra os índios.

Na denúncia apresentada à Justiça Federal em Itaituba (PA), o Ministério Público se vale dos testemunhos indígenas para relatar que vários policiais dispararam contra os índios, mas que os dois primeiros tiros contra Adenilson foram dados pelo próprio delegado, que permanecia dentro do rio, com água pela cintura. Três tiros acertaram as pernas de Adenilson antes que ele também caísse na água. Nesse momento, afirmam os índios, o delegado acertou um último tiro na cabeça da vítima. O corpo de Adenilson só foi encontrado no dia seguinte. A exumação demonstrou que a morte foi causada por um tiro na nuca.

Outros dois indígenas sofreram lesões corporais graves no dia 7 de novembro de 2012, mas não foi possível localizar provas que relacionassem os ferimentos diretamente aos agentes envolvidos na operação. Por isso, apenas o delegado foi denunciado. Ao Ministério Público, os policiais federais que participaram da ação declararam não se recordar bem dos fatos.

Em fevereiro de 2013, lideranças munduruku estiveram em Brasília cobrando das autoridades que o delegado federal e outros eventuais envolvidos na morte de Adenilson Kirixi fossem punidos.

“A Polícia Federal foi à comunidade e destruiu tudo. Assassinou um índio, feriu dois, agrediu idosos, mulheres e crianças, destruiu embarcações e nenhuma providência foi tomada até hoje”, disse à Agência Brasil, na ocasião, Valdenir Munduruku, um dos líderes da Aldeia Teles Pires.

A reportagem não conseguiu localizar o delegado. A assessoria da Polícia Federal informou que o órgão aguardará ser oficialmente notificado para se manifestar sobre o assunto.




Agência Brasil


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