Empresário, que está em prisão domiciliar, teria
até quarta-feira para pagar R$ 52 milhões. 'Hoje [segunda], ele não tem como
fazer esse pagamento', diz defesa.
| Eike Batista, que cumpre prisão domiciliar, pode ser preso novamente. Afirmação é do advogado dele, Fernando Martins, que pede reconsideração do bloqueio de bens do empresário. (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters) |
O empresário Eike
Batista, que precisaria pagar até quarta-feira (17) a fiança de R$ 52 milhões para continuar
em prisão domiciliar, corre o risco de voltar para a cadeia. É o que afirma ao G1 o advogado dele, Fernando Martins, depois de a
Justiça Federal determinar o aumento do bloqueio de bens, de R$ 162 milhões
para aproximadamente R$ 900 milhões.
"Existe
sim [a possibilidade de prisão]. É muito difícil esse pagamento. Todos os bens
dele [Eike] estão bloqueados. Vamos encaminhar pedido de reconsideração para
que possamos reverter", afirmou a defesa. "Parece que existe uma
intenção de que ele fique preso. É uma expropriação isso que está sendo
feito", rebateu.
O reexame do
bloqueio de bens foi feito pela juíza federal Rosália Monteiro Figueira, da 3ª
Vara Federal Criminal, na sexta-feira (12). No mesmo dia, o juiz Marcelo Bretas
determinou o pagamento da fiança para que o empresário voltasse para casa em
até três dias.
Na medida
cautelar, a juíza observa que os artigos pelos quais Eike responde estabelecem
pena de multa de até três vezes o montante da vantagem ilícita obtida em
decorrência do crime.
"A pena de
multa alcançará em tese o montante de R$ 750.341.982 (insider trading entre as
datas de 24/05/2013 a 10/06/2013), e o valor de R$ 120.391.995, no período de
28/08/2013 a 03/09/2013", diz o documento, acrescentando que, para outro
delito, a pena de multa em tese alcançará o valor de R$ 26.162.730.
"Evidencia-se,
por mero cálculo aritmético, que o valor bloqueado junto ao BACENJUD é
insuficiente para garantir este Juízo na cobertura do pagamento da pena de
multa, na forma da lei, em caso de eventual condenação", observa o texto,
referindo-se ao valor já bloqueado.
Prisão e soltura
Eike é réu no
processo da Operação Eficiência (desdobramento da Lava Jato), da 7ª Vara
Federal Criminal. O empresário é acusado de pagar US$ 16,5 milhões em propina
ao ex-governador do Rio, Sérgio Cabral.
O empresário chegou a ser preso
preventivamente em janeiro, mas foi solto no fim do mês passado,
por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota, a defesa do empresário
diz que a determinação da 3ª Vara Federal descumpriria o Supremo.
"A nova decisão (...)
ampliando o limite total de bens que deve permanecer bloqueado, implica na
expropriação ilegal de todo patrimônio de Eike Batista e, se não imediatamente
revista, impossibilitará o pagamento da fiança imposta e acarretará,
consequentemente, o retorno de Eike Batista à prisão, contrariando decisão do
Supremo Tribunal Federal".
G1/RJ
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