Atualmente, o Hospital Regional de
Sorriso (HRS) se restringe a atender somente os casos de urgência e emergência
em virtude da falta de repasses do Governo do Estado, que já soma de R$ 8,2
milhões. Apesar da situação, uma pessoa que fraturou a perna, por exemplo,
ainda consegue atendimento. O problema é que a unidade médica pode fechar
totalmente as portas em menos de 30 dias.
Em entrevista coletiva, a diretora do
HRS, Lígia Leite, informou que ontem protocolou um documento que retrata a
situação em resposta à solicitação do Ministério Público. “Temos notas fiscais
em aberto por volta de R$8,2 milhões. Algumas empresas estão há seis meses sem
receber, a exemplo da lavanderia. O laboratório está atendendo somente os
pacientes internados, os externos foram cancelados”.
O hospital reduziu os atendimentos ao
máximo, mas a diretoria teme o pior: a paralisação total do hospital devido à
situação caótica. “Mas como fechar as portas se temos 75% de ocupação dos
leitos? Está difícil”, questionou.
Sem alimentos
Com esse cenário, mesmo sem recursos,
a diretora disse que precisou adotar cortes de gastos. Uma das
medidas foi suspender a alimentação de alguns servidores que não fazem
plantão de 12 horas. Isso porque das empresas que forneciam alimentos ao
hospital, apenas um supermercado ainda faz a entrega, mas já notificou a
diretoria de que não mais venderá os produtos por falta de pagamento.
“Todos terão que se unir e teremos que cortar todos os tipos de gastos”,
frisou.
Lígia explica que, mesmo sem
dinheiro, não consegue reduzir os funcionários porque o quadro já está defasado
e há anos a assistência ao usuário já está comprometida.
“Só no setor de enfermagem, por
exemplo, perdemos 39 funcionários desde junho de 2015 e não houve reposição. No
total, saíram 82 funcionários de junho até agora, também sem reposição. Não
temos como reduzir os profissionais contratados”.
Por conta da superlotação e escassez
de insumos, remédios, alimentos e outros itens, a unidade também pediu
transferência de parte dos pacientes, mas não conseguiu. “Está muito difícil
porque os outros hospitais do Estado estão na mesma situação e o Governo diz
que não tem recursos financeiro suficientes para toda a demanda do Estado”.
Sem limpeza
Além do estoque de medicamentos quase
no fim, os servidores do setor de limpeza também anunciaram hoje que
paralisarão as atividades, o que compromete até o setor cirúrgico, que já
enfrenta dificuldades.
“Em todas as reuniões, com a
participação do governador, foram sugeridas inúmeras opções pelos prefeitos,
mas eu desconheço plano “B”. A Secretaria de Saúde e o Governo tentam amenizar
o impacto financeiro negativo, mas a saúde não tem tempo, precisamos de algo
emergencial”.
Empresas médicas, a lavanderia, o
laboratório, o centro de imagem, a empresa de lixo hospitalar e outros estão
com os seus pagamentos em atraso. E, além disso, o telefone do HRS está cortado
há mais de 20 dias.
Por conta desse cenário catastrófico,
permanece sem previsão o momento em que o Consórcio Intermunicipal de
Saúde do Teles Pires assumirá a gestão do hospital, que atende a quase 500 mil
moradores de 15 municípios da região Médio Norte.
O presidente do consórcio, prefeito
de Sorriso, Ari Lafin (PSDB), está em Cuiabá, onde cobrará um posicionamento ao
Governo do Estado, logo mais, às 11h.
O vice-presidente do consórcio,
prefeito de Itanhangá, Edu Pascoski (PR), esteve em Sorriso nesta manhã. Ele
reconheceu a proporção do problema, mas amenizou a situação ao citar a crise
financeira do Brasil.
“Estamos passando por crises
políticas e financeiras. Isso o Brasil vem atravessando, mas nós não podemos
achar culpados. Temos que ajudar. O consórcio não é o gestor do hospital.
Precisamos que o governador trate isso com carinho porque a saúde está na UTI”.
Segundo ele, enquanto o governo não
quitar os débitos do HRS e se comprometer em pagar o repasse mensal, o
consórcio não assumirá a gestão do hospital. “Não vamos por a responsabilidade
para as prefeituras e assumir a média e alta complexidade sem condições”,
ressaltou.
O que diz o Governo?
A Secretaria de Estado de Saúde (SES)
disse, por meio de nota, que o Hospital Regional de Sorriso recebeu
R$ 9,7 milhões até o dia 8 de maio e o pagamento feito mediante bloqueio
judicial no valor de R$ 3,1 milhões. “O mês de março não foi quitado até a
presente data. E o repasse de abril está aguardando a entrega da planilha de
despesas do hospital”.
Primeira Mão MT
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