Conflito entre indígenas e fazendeiros deixou
vários feridos no interior do Maranhão. Três índios continuam internados num
hospital em São Luís.
A comissão de Direitos Humanos da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB) vai pedir ajuda a Anistia Internacional para
intervir na disputa por terra entre índios e fazendeiros que ocorre na área do
conflito no povoado Bahias, no município de Viana, a 220 km de São Luís. O confronto registrado no
último domingo (30) deixou, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi)
13 feridos, mas a Secretaria de Estado da Saúde confirma sete.
| Índios permanecem internados em hospital em São Luís. (Foto: Lunaé Parracho/Reuters) |
Três índios continuam internados no
Hospital Clementino Moura, em São Luís. Um deles tem traumatismo craniano, o
outro fraturas exposta causada por espancamento e o terceiro sofreu ferimentos
graves nos dois antebraços e tem ferimentos pelo corpo e uma bala alojada no
tórax.
Segundo o advogado Rafael Silva, a
Anistia Internacional pode cobrar do governo brasileiro o andamento dos
processos administrativos em disputas que envolvam indígenas.
“A Anistia
Internacional ela pode exatamente cobrar o governo brasileiro para dar
andamento a esses processos administrativos repercutindo, inclusive, isso
internacionalmente porque a luta indígena ela se dá no mundo afora, as
violações elas infelizmente acontecem em vários países e aqui no Maranhão tem
sido até algo corriqueiro essas ameaças e, inclusive, morte de indígenas”,
disse.
| Distribuição dos indígenas no Maranhão, segundo dados do IBGE (Foto: Arte/G1) |
De acordo com integrantes da
Comissão de Direitos Humanos da OAB e o Conselho Indigenista Missionário que
estiveram no local, um dos índios teve as mãos decepadas a golpes de facão e
levou um tiro no peito. A
informação foi confirmada inicialmente pela Secretaria de Estado de Saúde (SES),
mas na noite de segunda-feira (1º) em nova nota, a SES diz que o índio Aldelir
de Jesus Ribeiro, gamela de 37 anos, sofreu ferimentos com arma branca nos
antebraços, apresentando
fratura externa e também ferimentos por arma de fogo no tórax direito com
fratura de costela (Leia a íntegra da nota abaixo).
A Fundação
Nacional do Índio (Funai) diz que está enviando uma equipe para acompanhar as
investigações. Por meio de nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública
afirmou que enviou a Polícia Federal (PF) a região para evitar novos conflitos
e ofereceu apoio a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão para investigar
o caso.
O conflito
Os
índios da etnia Gamela reivindicam uma área de 14 mil hectares no Norte do
Maranhão que foi doada pela a Coroa Portuguesa no século XVIII.
Eles dizem que os fazendeiros tomaram a área deles no decorrer dos anos.
Conforme a OAB
do Maranhão, que acompanha os conflitos por terra na região, os Gamelas estão
aguardando processos que correm na Justiça e que garantiriam a retomada de
áreas que atualmente estão em poder de não indígenas, mas com a demora para que
haja uma decisão judicial os índios estão ocupando áreas por conta própria.
A liderança
indígena Kaw Gamela pontua que a comunidade indígena está apenas reivindicando
o que é seu por direito. “Que o governo resolva logo isso porque a gente também
está cansado de ficar perdendo o nosso direito de ir e vir e a gente não está
feliz com isso”, finalizou.
Leia a íntegra da nota:
"1. A Secretaria de Estado
da Saúde (SES) informa que, ao todo, sete pessoas - entre elas cinco gamelas -
deram entrada em unidades estaduais e municipais em função do conflito ocorrido
no domingo (30). 2. Três pacientes deram entrada no Hospital Regional Dr. José
Murad, em Viana, dentre os quais dois agricultores atingidos de raspão por arma
de fogo que já receberam alta. O terceiro, Aldelir de Jesus Ribeiro, gamela de
37 anos, sofreu ferimentos com arma branca nos antebraços, apresentando fratura
externa e também ferimentos por arma de fogo no tórax direito com fratura de
costela. Ele foi encaminhado em estado grave para o Hospital Clementino Moura,
o Socorrão II, em São Luís, e agora recebe atendimento no Hospital Tarquínio
Lopes Filho, onde dará sequência ao tratamento pós-cirúrgico. 3. Também foram
encaminhados para o Hospital Tarquínio Lopes Filho os pacientes José André
Ribeiro, 45 anos, com trauma craniano por agressão física; e José Ribamar
Mendes, 46 anos, que sofreu fratura exposta, também para recuperação e
tratamento pós-cirúrgico. 4. Os gamelas Francisco Jansen Mendonça da Luz, 43
anos, vítima de agressão física, e Inaldo da Conceição Vieira Serejo, 43 anos,
com ferimento por arma de fogo - ambos recebidos no Socorrão II - já tiveram
alta médica".
G1/MA
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