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sábado, 7 de dezembro de 2013

Pará tem 2º maior índice de vítimas de violência do País



Os paraenses estão entre as principais vítimas de crimes no País. Cerca de três em cada 10 moradores do Estado, ou 35,5% da população, dizem ter sido vítimas nos últimos 12 meses de crimes como roubos, furtos, agressões ou ofensa sexual. É a segunda maior proporção do País, atrás, apenas da marca registrada
no Amapá (46%), segundo a primeira Pesquisa Nacional de Vitimização, divulgada ontem pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, em parceria com o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública, da Universidade Federal de Minas Gerais, e o instituto Datafolha. Em todo o Brasil, essa média foi de 21% (14,5 pontos percentuais abaixo do índice paraense).       

Quando questionados se já foram vítima de qualquer crime alguma vez na vida, essa margem no Pará chega quase a metade da população (44,2%) - novamente um dos maiores índices do País, superado somente pelos indicadores do Amapá (55,6%) e do Rio Grande do Norte (44,3%). A proporção nacional, novamente ficou bem abaixo: 32,6%. Os habitantes de Belém também surgem como uns dos mais ameaçados pelos crimes. Dentre os entrevistados, 41,1% foi vítima nos últimos 12 meses e 49,5% pelo menos uma vez na vida. Os percentuais só foram superados pelos de Macapá, que registrou 56,6% e 47,1%, respectivamente.

A pesquisa englobou 12 tipos de ocorrências em que pode ser feito o registro policial: furto e roubo de automóveis, furto e roubo de motocicletas, furto e roubo de objetos ou bens, sequestro, fraude, acidente de trânsito, agressão, ofensa sexual e discriminação. O questionário foi aplicado em 346 municípios, de junho de 2010 a maio de 2011 e em junho de 2012. Foram ouvidas 78 mil pessoas com 16 anos ou mais, sendo 2.516 deles no Pará (787 em Belém).

No geral, o Pará é o Estado do País com a maior parcela de pessoas com objetos roubados nos últimos 12 meses, como celular, dinheiro, bicicleta e relógio. A proporção é de 10,5%, enquanto a média nacional foi de 3,6%. Considerando qualquer época da vida do entrevistado, a proporção de paraenses com objetos roubados chega a 35,5%. Os números também assustam em relação ao roubo de outros bens. O estudo aponta que 3,8% dos proprietários de carros, caminhões e caminhonetes do Estado foram vítimas de assalto no ano da pesquisa. Outros 6,2% tiveram suas motos roubadas, 3,7% sofreram ofensa sexual e 10,8% foram vítimas de fraudes e estelionatos no mesmo período. Os moradores do Estado também apresentaram um dos mais altos índices do País de casos de algum tipo de discriminação: 17,8%.

O levantamento mostra, no entanto, que somente 23,7% das vítimas procuraram a polícia para registrar as ocorrências. Em Belém, que aparece como a segunda capital mais insegura do País, com margem de 68% da população com medo de ser assaltada, o índice de pessoas que procuram a polícia foi apenas 27,1%. O baixo percentual está associado a confiança da população com a polícia. Só 8,9% dos paraenses dizem confiar muito na Polícia Militar - segunda pior média, atrás do Amazonas, com 8,4%. No caso da Polícia Civil, esse percentual alcança apenas 9% da população. Resultados inferiores só foram observados em Roraima (6,5%) e Amazonas (7,4%).

Uma parcela de 72% ainda acusa a Polícia Militar de abusar do uso da força e de sua autoridade (2º maior do País) e 25% condenam como ruim ou péssima a abordagem da polícia em blitz e revista pessoal (3º maior). A população do Pará ainda é a quarta no ranking nacional que mais condena a apresentação pessoal dos policiais como a maneira de se vestir e falar (20%). Outros 5,2% também afirmaram terem sido vítimas de extorsão ou que foram obrigados a pagar propina.

 Preocupante

 A secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, disse que considera "preocupantes" os resultados da pesquisa, embora não os classifique como “surpresa”. “Para a gente que está no dia a dia trabalhando com segurança pública, (isso) pode não traduzir uma surpresa, mesmo porque temos outras pesquisas ligadas a essa divulgada hoje, de vitimização. O que nos traz surpresa é que as pessoas não fazem uso de alguns serviços que estão à disposição. Mas, sim, os números são preocupantes”, afirmou a secretária.

 Regina Miki disse que “falta confiança” da população nas polícias e que "há dificuldade" no acesso das pessoas a delegacias em diversas cidades. Segundo ela, as polícias precisam ter “independência política”. “Primeiro de tudo, sobre o que pode ser feito, é a formação e a capacitação continuada, para atender no dia a dia às demandas e aos interesses da sociedade e depois fazer com que a polícia entenda que ela faz a defesa da sociedade, e não do estado. A independência política das polícias é primordial”, disse.

 A maior parte das ocorrências se deu dentro da casa do entrevistado (38,3%) ou em suas proximidades, como a rua onde mora (33,3%), o bairro (14,9%) ou a garagem da residência (11,1%). Já roubo de objetos (49,5%), sequestro (32,1%) e ofensa sexual (23,7%) acontecem com maior frequência em lugares abertos. No local de trabalho, a maioria das vítimas relatou discriminação (20,5%), agressão (15,3%) e furto de objetos (12,6%) e, na maior parte das vezes, por um conhecido.

 O medo de ser vítima de agressão sexual é maior entre as mulheres (52,4%) que entre os homens (21,8%). Os mais jovens (43%) também temem mais esse tipo de violência. Na vizinhança, metade dos entrevistados receia ser vítima de bala perdida (52,0%) e estar no meio de um tiroteio (50,7%). Outros 34,3% têm medo de ser confundidos com um bandido pela polícia e 33,2%, de ser vítimas de extorsão por parte da polícia.





ORM

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