Parecer do relator foi aprovado
por 23 votos a 14. Desafio do governo, agora, será conseguir votos necessários
para aprovação da proposta no plenário da Câmara e, depois, no Senado
| Após impasses, Arthur Maia consegue aprovar relatório final da comissão da reforma da Previdência |
Após uma tarde intensa de discussão e
negociações, com inclusões e retiradas de
demandas do relatório final, a Comissão Especial da Câmara aprovou há pouco,
por 23 a 14, a proposta da reforma da Previdência patrocinada pelo governo
Michel Temer. No texto aprovado, a idade mínima para concessão da aposentadoria
ficou fixada em 65 anos para homens e 62 para mulheres. O tempo de contribuição
para ter direito ao benefício integral, inicialmente estipulado em 49 anos,
ficou fixado em 40 anos de trabalho comprovado. Além disso, pelo texto, o tempo
mínimo de contribuição sobe de 15 para 25 anos.
“Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”, gritaram
oposicionistas e deputados contrários à reforma previdenciária de Temer, em
alusão à canção “Vou festejar”, famosa na voz de Beth Carvalho. “[A PEC] passou
com o número do relator!”, festejou um governista, referindo-se ao número
eleitoral do PPS, partido de Arthur Maia (BA), a quem coube a apresentação do
parecer na comissão especial. Encaminharam voto contra a matéria PT, PSB,
PDT, Solidariedade, PCdoB, PHS, Psol, Pros e Rede.
Logo no início da reunião de hoje, Maia apresentou uma complementação de
voto, em que alterou alguns pontos da reforma. Entre as mudanças, o relator
acabou incluindo os policiais legislativos, os agentes penitenciários e os
agentes socioeducativos na mesma idade mínima de aposentadoria dos policiais,
com idade mínima de 55 anos. No entanto, na parte da tarde, o relator
recuou e tirou os agentes penitenciários da proposta. Ele chegou a dizer que
recebeu a ligação de diversos parlamentares contrários ao texto. O presidente
da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu
Padilha, também ligaram para o relator e fizeram o pedido de exclusão dos
agentes penitenciários da proposta.
No caso das mulheres policiais, o relator incluiu no texto exigência de 25
anos de contribuição, sendo 15 anos em efetivo exercício do cargo de natureza
policial para a aposentadoria. O texto anterior dizia que as mulheres policiais
poderiam se aposentar com pelo menos 55 anos de idade e 25 anos de contribuição
desde que comprovados 20 anos de atividade policial. Já no parecer apresentado
nesta quarta-feira (3), o relator reduziu esse período de exercício policial
exigido inicialmente para 15 anos. A regra de transição elevará esse prazo
gradualmente até 20 anos.
Maia também apresentou alterações na concessão da pensão por morte.
Ficou acertado que o segurado que já tenha reunido condições de se aposentar e
venha a falecer, deixará uma pensão baseada no valor de sua aposentadoria –
caso a tivesse requerido – ou no valor da aposentadoria por incapacidade, a que
for maior.
Antes da reunião desta quarta-feira (3), Arthur Maia se reuniu com
servidores públicos para negociar mudanças nas regras de aposentadoria da
categoria. Para o relatório ser aprovado, era necessário pelo menos 19 dos 37
votos no colegiado. Os deputados ainda precisarão votar os destaques – 59
requerimentos foram apresentados, mas apenas 11 devem ter votação nominal. O
texto foi enviado pelo Palácio do Planalto à Câmara em dezembro do ano passado.
O governo ainda se articula para conseguir aprovação no plenário da Casa, onde
a proposta precisará de 308 votos favoráveis.
Recuo dos agentes penitenciários
Após a pausa para o almoço, logo
depois da leitura do parecer final da reforma, Arthur Maia (PPS-BA) recuou e
tirou do texto os agentes penitenciários, depois de receber muitas reclamações
de parlamentares. “Desde que anunciei a inclusão, recebi centenas de mensagens
de deputados criticando a medida por causa do desrespeito que aconteceu ontem”,
disse Maia, que se referia à invasão ao prédio do Ministério da Justiça – pasta
que administra o sistema prisional – em protesto dos agentes penitenciários
justamente contra o fato de que não estavam, até então, contemplados na
reforma.
O relator havia
anunciado a inclusão de agentes penitenciários, agentes
socioeducativos e policiais legislativos entre os servidores que terão direito
a aposentadoria com idade mínima reduzida. Os legislativos também foram
incluídos na regra que permite a adoção da idade mínima de 55 anos para a
aposentadoria, assim como será no caso de policiais federais e rodoviários
federais.
No caso dos agentes penitenciários e os agentes socioeducativos, eles
teriam que aguardar a edição de uma lei complementar para que tivessem o limite
de idade reduzido. Essa diminuição poderia ser de até 10 anos em relação às
idades mínimas gerais, não podendo ser inferior a 55 anos para ambos os sexos.
Diante da polêmica da inclusão dos agentes, anunciada na manhã de hoje
(quarta-feira,3), ele decidiu deixar a decisão para o plenário da Câmara. De
acordo com ele, há uma emenda sobre o assunto que pode ser destacada no plenário.
Resultado artificial
O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), que falou contra a proposta,
lamentou a ação do governo “para tentar fabricar um resultado artificial na
comissão”, com a substituição de deputados dos partidos da base do governo. O
parlamentar ressaltou ainda que a proposta não passa no plenário da Câmara.
Para ele, a proposta se baseia em um “modelo atuarial falso”. Molon afirmou
ainda que a mudança no tempo mínimo de contribuição, que pula de 15 para 25
anos, prejudica os mais pobres, que muitas vezes não conseguem comprovar o
tempo de trabalho. “Isso aqui é um ataque aos mais pobres. [...] Não podemos
aprovar essas propostas, ainda que o relator tenha feito concessões”,
ressaltou.
O deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) defendeu o relatório e disse que
faltou ao governo anterior capacidade política para enviar ao Congresso uma
proposta de reforma da Previdência, mesmo sabendo que era preciso fazê-la.
Pauderney disse que foi realizado amplo debate entre servidores e toda a
população e defendeu que a proposta não deixou de lado a condição especial de
professores e policiais.
Contra a reforma, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) disse que o
resultado da votação na comissão não significa nada porque o governo só precisa
de 19 votos para ganhar. “No Plenário são 308 e o governo não tem estes votos.”
Para Jandira, o país paga muito mais juros em dívidas do que benefícios
previdenciários. “Exigir 25 anos de contribuição é a exclusão de 79% dos
trabalhadores de baixa renda”, afirmou.
Congresso em Foco
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