Julgamento
do recurso no Tribunal Superior Eleitoral terminou com cinco votos pela
cassação e dois pela absolvição. Novas eleições devem ser realizadas
| José Melo foi eleito em 2014 e foi cassado em última instância (Foto: Joel Arthus / Secom) |
O governador do
Amazonas, José Melo, e o vice, Henrique Oliveira, foram cassados na manhã desta
quinta-feira (4) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante julgamento
de recurso de cassação. Foram 5 votos pela condenação e 2 pela absolvição.
A Corte Eleitoral também determinou a realização de novas eleições para
governador no Amazonas.
A defesa do governador ainda pode ingressar
com embargos de declaração junto ao TSE, mas isso não impede o cumprimento
imediato da decisão de afastar o governador do Estado. Conforme especialistas
ouvidos pela reportagem, tão logo o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas
(TRE-AM) seja comunicado oficialmente da decisão do TSE, Melo será afastado. A
comunicação pode ser feita ainda hoje, via malote digital, o que acelera a comunicação
entre os órgãos.
Após isso, o presidente da Assembleia
Legislativa do Amazonas (ALE-AM), David Almeida, assume o governo e deve
convocar novas eleições, o que deve ocorrer dentro de até 40 dias, conforme o
TSE. Após David Almeida convocar as novas eleições, o TRE-AM tem até 90 dias
para viabilizar a estrutura do pleito.
Votaram pela cassação os ministros Luís
Roberto Barroso, Edson Fachin, Antônio Herman de Vasconcelos e
Benjamin, Admar Gonzaga e a presidente da sessão, ministra Rosa Webber. Contra
a cassação se posicionaram os ministros Napoleão Nunes Maia Filho,
relator do processo, e a ministra Luciana Lóssio.
Pela decisão do TSE, novas eleições devem ser
realizadas de maneira direta para o Governo do Amazonas dentro de um prazo
de até 40 dias. Ate lá, permanece no cargo o presidente da Assembleia
Legislativa do Estado (ALE), David Almeida.
Os votos
O julgamento já iniciou com o voto do
relator, Napoleão Nunes Maia Filho, pelo provimento do recurso de Melo - ou
seja, pela absolvição pela alegada compra de votos. Em seguida, a ministra
Luciana Lóssio acompanhou o voto do relator, destacando que, para ela, uma
condenação por compra de votos nesse caso se daria por mera presunção, pois
faltavam provas contundentes.
A partir daí, o cenário mudou. Luís
Roberto Barroso e Edson Fachin, ambos ministro do Supremo Tribunal
Federal, votaram pela cassação do governador, entendo que restou
configurada a compra de votos. Em seguida, Antônio Herman de Vasconcelos e
Benjamin foi mais um membro da corte a votar pela cassação de Melo. Para
ele, a presença do irmão do governador, Evandro Melo, no local onde houve a
suposta compra de votos, configura a participação do governador na conduta
vedada. "Difícil imaginar que um irmão que coordena a campanha
pudesse fazer algo com esta dimensão sem o conhecimento daquele que seria
beneficiado", afirmou ele.
Na sequência, Admar Gonzaga foi mais um a
votar pela cassação. Ele chegou a afirmar que iria pedir vistas do processo,
mas disse que se sentiu esclarecido pelos votos anteriores. "Entendo que
por muito menos cassaram prefeitos e vereadores, e um governador não pode, com um
conjunto probatório dessa magnitude, não ser cassado", defendeu.
Apenas para efeito protocolar, a ministra
Rosa Webber, que presidia a sessão, votou por último, acompanhando as
divergências quanto ao voto do relator, confirmando o placar de 5 a 2 para a
cassação de José Melo.
A Crítica
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