| Semanalmente, as empresas enviam uma série de denúncias para a Polícia Civil sobre fraudes da população | Fotos: Ione Moreno |
Manaus, Amazonas, é uma das
capitais brasileiras campeãs em furtos, perdas e outras irregularidades no
fornecimento de energia elétrica e água. Para se ter uma ideia, somente nos
últimos 12 meses, as concessionárias responsáveis pelos abastecimentos foram
recordistas em índice de perda de faturamento com os serviços, ultrapassando os
40%. A pena para quem comete esse tipo de crime pode chegar a 8 anos de
detenção.
No setor de energia elétrica, por
exemplo, a empresa responsável pelo fornecimento amargou só em 2016 prejuízos
num valor superior a R$ 100 milhões, segundo estimativa da Delegacia
Especializada em Combate a Furtos de Energia, Água, Gás e Serviços de
Telecomunicações (DECFS). A Eletrobras Distribuição Amazonas, que intensificou
as fiscalizações nos últimos anos, informa que apesar dos dados de 2017 ainda
não estarem fechados, já há um sinal de que os furtos e perdas na distribuição
de energia são maiores do que no ano passado.
Somente no ano passado, a
concessionária Eletrobras Amazonas Distribuição informa que realizou,
aproximadamente, 205 mil fiscalizações em todo o Estado. A empresa estima que,
em média, 35% da energia fornecida ao seu mercado consumidor não é faturada por
motivos de irregularidade na medição (fraudes e furtos), além das ligações clandestinas.
| As fraudes geram transtornos para todos os consumidores |
De acordo com dados da
empresa, as ligações clandestinas se concentram na classe residencial. Já as
fraudes na medição acontecem em igual escala em todas as classes. A concessionária
de energia explica que essas perdas prejudicam outros setores, que deixaram de
receber melhorias devido ao não recolhimento de impostos.
Os prejuízos
na estrutura de distribuição causados pelas fraudes e furtos geram transtornos
para todos os consumidores. “Esses ‘gatos’ e outras irregularidades ocasionam
curto-circuito, desligamentos, oscilações de energia e riscos de acidentes,
gerando transtorno a todos, à população e à distribuidora de energia”, ressalta
a Eletrobras, na nota.
Semanalmente,
a Eletrobras e a Manaus Ambiental enviam uma série de denúncias à DECFS. O
delegado titular, Luiz Felipe Vasconcelos, destaca que, entre os vilões dessa
história, estão as grandes invasões e as empresas de médio e grande porte.
| O grande vilão são as invasões |
No caso da ocupação
irregular de terrenos, um problema conhecido como “convulsão social”, o
delegado explica que é tecnicamente inviável fiscalizar. Para ele, nessas
situações o certo é realizar a desmobilização dessas áreas por meio de
reintegração de posse, deflagradas nas operações conjuntas dos grupos de
intervenção.
Luiz Felipe
ressalta que a DECFS trabalha diretamente com as demandas da Manaus Ambiental e
Eletrobras Distribuição Amazonas, coibindo os furtos e identificando os
envolvidos para aplicar a penalidade.
‘Gatos’
por toda a cidade
No serviço de
distribuição de água em Manaus, aproximadamente 50 mil estabelecimentos, entre
residências e empresas, possuem ligações clandestinas. A estimativa é da
Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas
(Arsam). O órgão estadual fiscaliza os serviços de abastecimento de água e
esgotamento sanitário de Manaus, prestados pela concessionária Manaus
Ambiental, por meio de um convênio com a Prefeitura de Manaus.
O diretor
presidente da Arsam, Fábio Alho, afirma que os índices de fraudes quanto a esse
serviço são muito altos nas zonas Sul e Centro-Sul da cidade, onde há
regularidade no serviço de abastecimento feito há anos pela Ponta do Ismael.
Entre as ocorrências de furtos, mais conhecidos como “gatos”, ele aponta fraude
em hidrômetros e ligações clandestinas no abastecimento de água.
| Zonas Norte e Leste são as que possuem mais ligações clandestinas de água |
Entre os bairros e
localidades da área consolidada onde mais se encontra fraudes no serviço estão
o centro histórico, Japiim e Morro da Liberdade, segundo Alho. Nas regiões das
zonas Norte e Leste, abastecidas pelo Programa Água para Manaus (Proama), o
direito da Arsam observa que muitas vezes a culpa das fraudes e perdas é da
própria concessionária que distribui água não hidrometrada a muitas
residências.
Nessas
regiões há casos também de bairro com hidrômetros instalados, onde moradores
fazem um desvio no ramal, no meio da rua. “É muito comum também tubulações
irregulares aéreas, sobre o solo, nas invasões, onde há um crescimento
populacional desordenado”, salienta.
Em Tempo
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