Um grande culto ecumênico foi
realizado neste domingo (5), em Apuí (a 455 quilômetros de Manaus, Amazonas), pedindo paz e
uma solução para o caso do desaparecimento de três homens na reserva indígena
Tenharim-Marmelos, próxima à cidade, e que vem se desenrolando desde o dia 16
de dezembro.
Cerca de mil pessoas, entre
produtores rurais e moradores, participaram do ato, promovido pelo Sindicato
Rural do Sul do Amazonas (Sindisul), juntamente com a Federação da Agricultura
e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea) e a Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil (CNA), e que contou com o apoio de lideranças religiosas de
Apuí e do município vizinho de Santo Antônio do Matupi.
Irisnéia Santos Azevedo,
esposa de Stef Pinheiro, um dos desaparecidos, falou por telefone com as
pessoas presentes. Ela contou sobre as dificuldades que vem passando desde o
desaparecimento do marido e agradeceu o apoio da população.
De acordo com o pároco de
Apuí, Raimundo Magalhães, a ação pede o fim dos conflitos, mas também a justiça
devida aos envolvidos no desaparecimento dos três homens. “Nós atendemos a uma
solicitação dos organizadores do culto e viemos falar pela paz; mas uma paz que
também deixasse inquietas as pessoas para clamar por justiça. Uma paz que
inquieta as pessoas, mas que não possa ocorrer incitação ao ódio. (...) que não
seja, de fato, a justiça esquecida”, afirmou Raimundo.
Abaixo-assinado
No mesmo dia, o Sindisul também promoveu a coleta de assinaturas para um abaixo-assinado, pedindo a extinção da cobrança de pedágio na Rodovia Transamazônica, no trecho da reserva Tenharim. A cobrança de pedágio foi alvo dos protestos de moradores de Apuí, Matupi e Humaitá, e está entre as principais razões do conflito que vem ocorrendo na região.
O presidente do Sindisul,
Carlos Koch, disse estar preocupado com a situação, e esclareceu a motivação
para o ato. “Nós, produtores rurais, estamos demonstrando com esse movimento
pacífico que nós somos humanos e que temos nossos direitos, entre eles o
direito à vida e o direito de ir e vir”.
Autoridades de Apuí e Santo
Antônio do Matupi também criticaram a situação de tensão, e afirmaram que ela
afasta trabalhadores rurais e investidores, afetando a economia dos municípios.
Tensão
prejudica as aulas de jovens indígenas
Em Humaitá, onde a tensão entre produtores rurais e moradores e os indígenas da reserva Tenharim têm provocado os conflitos mais violentos, a situação de insegurança e a hostilidade da população pode prejudicar o início do ano letivo para crianças e jovens indígenas.
Em Humaitá, onde a tensão entre produtores rurais e moradores e os indígenas da reserva Tenharim têm provocado os conflitos mais violentos, a situação de insegurança e a hostilidade da população pode prejudicar o início do ano letivo para crianças e jovens indígenas.
De acordo com Ivanildo
Tenharim, representante da etnia que habita a reserva e coordenador de Educação
Escolar Indígena de Humaitá, mais de 30 professores que atuam nas escolas
indígenas do município terão de passar por um curso de capacitação na cidade
antes do início das aulas.
Os últimos acontecimentos,
porém, como a destruição de propriedades indígenas em Humaitá e na entrada da
reserva Tenharim, colocaram os índios em situação de confinamento, entre eles
alunos e professores. “Além da falta de alimentação e de atendimento médico,
essa é a questão que mais nos preocupa”, afirma Ivanildo.
Ainda segundo o
representante indígena, a situação frustra o longo processo de integração
escolar dos habitantes da reserva, lançando uma indefinição preocupante sobre o
futuro dessas crianças e jovens.
A Crítica
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