Para
os cientistas, o senso de justiça desses animais vem não apenas da influência
humana, mas de um ancestral em comum dos lobos e cães
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| Cães, assim como lobos, têm aversão à injustiça. (iStock/Getty Images) |
Além de
homens e certos primatas, cães e lobos também
são sensíveis a injustiças. Pesquisas anteriores feitas com cachorros, já indicavam que estes animais paravam de cooperar quando
tratados de forma injusta, o que os cientistas acreditavam ser uma
característica vinda da domesticação e convivência com humanos. No entanto, um
estudo publicado nesta quinta-feira na revista científica Current Biology, demonstra que lobos também reagem à injustiça. Para os
pesquisadores, isso é um indício de que o senso de justiça, crucial para a cooperação
entre indivíduos, percebido nesses animais vem não apenas da influência humana,
mas de um ancestral em comum dos lobos e cães.
Cães e
justiça
Para verificar a reação de cães e lobos, ancestrais
dos cães, a situações de injustiça, pesquisadores do Wolf Science Center, da
Universidade de Medicina Veterinária de Viena, na Áustria, treinaram os animais
para apertarem um botão em troca de comida — ração ou carne. Em
seguida, colocaram dois indivíduos da mesma espécie, que haviam sido
criados em grupo de maneira semelhante, lado a lado, de maneira que pudessem se
enxergar, enquanto o treinador ficava à frente, oferecendo as recompensas.
Os animais apertavam o botão tranquilamente se
recebessem a mesma comida, mas, quando ambos realizavam a mesma tarefa e o
treinador entregava a recompensa para apenas um deles, ou oferecia ração a um
dos indivíduos enquanto o outro ganhava carne, os animais injustiçados ficavam
incomodados e paravam de apertar os botões. Eles se recusavam a retornar ao
jogo e os lobos tinham respostas ainda mais rápidas que os cachorros,
possivelmente, segundo os pesquisadores, porque os animais domesticados desejam
colaborar com os humanos. As duas espécies, contudo, paravam de participar do
jogo após o tratamento desigual.
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| Em parte dos testes, os pesquisadores colocaram dois indivíduos da mesma espécie lado a lado e os trataram de maneiras distintas após a realização de uma tarefa (Robert Bayer/Divulgação) |
Mas, quando os cães e lobos fizeram o mesmo teste
sem outro animal ao lado, eles continuaram a apertar a campainha se
solicitados, mesmo sem a recompensa. Para Friederike Range, também autor do estudo,
“isso mostra que o fato de eles mesmos não terem recebido recompensa não era a
única razão para terem parado de cooperar com o treinador. Eles se recusaram a
colaborar porque o outro ganhou algo e ele não”, disse, em comunicado.
Ancestral
comum
A hierarquia dentro dos grupos também teve
influência no resultado. “Animais ao topo da hierarquia (os machos-alfa)
ficavam frustrados mais rapidamente com a injustiça porque eles não estão
acostumados com essa situação: não receber nada ou receber algo de qualidade
inferior”, disse Range.
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| Lobo que participou dos testes (Robert Bayer/Divulgação) |
Depois dos testes, os pesquisadores analisaram
ainda se os animais interagiam com o treinador em um recinto neutro. Os lobos
que haviam sido injustiçados ficaram afastados de humanos, mas os cães não.
“Mesmo que esses cães não vivam diretamente com humanos, eles são mais dóceis
conosco. Neste ponto, a domesticação parece influenciar o comportamento canino.
Seu contato próximo com humanos como animais de estimação poderia, assim,
reduzir as reações a injustiças em vez de desencadeá-las”, afirmou o
pesquisador.
Segundo os pesquisadores, o senso de justiça
apurado é um comportamento herdado, possivelmente de um ancestral comum de cães
e cachorros. Além disso, os cientistas concluíram ainda que aversão à
injustiça identificada pelo experimento é comparável à encontrada em primatas
não-humanos e que ela está, provavelmente, ligada à evolução da cooperação nos
animais.



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