| Gilmar Mendes: "Nunca pensei em cassar Dilma Rousseff" |
Por quatro votos a três, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) absolveu a
chapa Dilma/Temer e garantiu a manutenção do presidente no mandato. Coube ao
presidente da corte, Gilmar Mendes, o voto de Minerva para desempatar o
julgamento. Além dele, também votaram em defesa dos acusados os ministros
Napoleão Nunes Maia, Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira. Do outro lado, ficaram
com o relator, Herman Benjamin, os ministros Luiz Fux e Rosa Weber, que votaram
pela cassação.
O ministro, que ainda lê o seu voto, disse que jamais teve a intenção de
cassar o mandato de Dilma ou Temer. ”Nós não devemos brincar de aprendizes
de feiticeiros”, disse o presidente do TSE. Ele afirmou que pediu o andamento
da ação não para cassar quem quer que seja, mas para que o país tomasse
conhecimento de como as campanhas eleitorais são financiadas. “Nunca pensei em
cassar Dilma Rousseff”, declarou. “Não vendo ilusões.”
O ministro disse que “mazelas da política brasileira” não podem ser
analisadas pelo TSE. Em dos trechos de seu voto, o magistrado citou letra do
compositor Herivelto Martins: “primeiro é preciso julgar para depois condenar”.
Em seguida completou: “E não fixar uma meta para condenação”.
Gilmar também ressaltou que “não se substitui um presidente da República
a toda hora”. “Não é algum fricote processualístico que se quer proteger. Não.
É a questão do equilíbrio do mandato”.
Além disso, criticou discursos de mudança.“É muito fácil fazer o
discurso do moralismo”, ressaltou Gilmar, que também disse que mudar um
presidente é uma decisão que envolve responsabilidade. “Nós não estamos faladno
de um pedido de pensão alimentícia. Não. É de um mandato presidencialista. Para
isso, devemos ter uma decisão de muita responsabilidade”.
Sem citar o Ministério Público Federal (MPF), Gilmar, em um momento mais
eufórico, bravejou: “Ninguém me venha dar lição de combate à corrupção!”. Ele
também voltou a dizer que o tribunal não é instrumento de resolução de crises
políticas. “Não tentem usar a mão do tribunal para resolver crise
política, porque o tribunal não é instrumento. Resolvam seus problemas”
Durante seu voto, o ministro ressaltou que, a rigor, o levantamento de
Herman Benjamin, cassaria todos os mandatos passados até 2006. “Talvez devemos
voltar, pelo menos, até 2006. Isso contaminaria todos os fatos do governo Lula,
do governo Dilma 1 e do governo Dilma 2, enquanto ele durou. É disso que
estamos falando, é esse o objeto da discussão, não estamos falando aqui de uma
reintegração de posse”.
No final de seu voto, Gilmar questionou o ministro Herman: Vossa
Excelência não vai fazer nenhuma interferência?”. O relator rebateu afirmando
que não interferiu nenhum dos outros magistrados, mas ia pedir que ele se
retratasse, pois seu voto não analisava fatos de 2006, como Gilmar citou.
Congresso em Foco
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