Até 'rascunho', usado
para driblar investigações, pode ter conteúdo descoberto
E quando a mensagem não vai a lugar
nenhum, pois permanece no rascunho do correio eletrônico, ainda é possível
descobrir com mandados de busca e apreensão, segundo Cerdeira. Além disso, o
Google também tem as informações salvas no rascunho do e-mail.
— Tanto o e-mail 2606iolanda@gmail.com
quanto o outro, iolanda2606@gmail.com, que foram atribuídos a Dilma, são
considerados válidos e podem ser rastreados — disse Cerdeira ao GLOBO, no
momento em que fez a verificação.
Para evitar o rastreamento, Dilma e
Mônica Moura se comunicavam por e-mails escritos como rascunho e salvos sem
enviar. As duas tinham a senha e acessavam a conta para conversarem.
O GLOBO entrou em contato pelos dois
e-mails, e a mensagem foi enviada normalmente. No texto, escreveu:
"Gostaria de fazer um pedido de entrevista com a Sra. Ex-presidente da
República Dilma Rousseff para esclarecer os fatos reportados na delação
premiada de Mônica Moura".
Para descobrir quem utilizou determinado e-mail, é preciso de duas etapas. A primeira é solicitar ao Google (dono do Gmail) as redes de conexão usadas pelo correio eletrônico. Depois, é necessário solicitar às empresas provedoras de conexões os locais em que houve o uso do e-mail.
Ou seja, de um lado há os chamados
"provedores de aplicação", que oferecem um serviço (no caso, o Google
oferece o Gmail). Estes provedores informam quais foram os "provedores de
conexão" (empresas que oferecem acesso à internet) usados, que, por sua
vez, informam os endereços finais dos usuários.
— O Ministério Público pede uma ação cautelar para o Google dizer quais IPs estavam vinculadas a essa conta (de e-mail). IP é o número único de conexão para internet, que é mais ou menos igual ao CEP. O Google vai informar isso. Depois, para saber qual computador estava conectado, vão precisar de outra ordem contra provedores de conexão — afirmou o especialista.
A conexão pode ter sido feita por uma
rede doméstica ou por uma rede corporativa. Para o primeiro caso, a questão
estaria praticamente resolvida, já que numa conexão em casa o alvo estaria
evidente.
Já se a conexão tivesse sido feita por
uma rede corporativa, haveria indícios de quem fez o acesso. Porém, só quem
saberia realmente quem teria usado o correio seria a pessoa que controla a rede
interna da empresa.
Quando a mensagem não vai a lugar
nenhum, pois permanece no rascunho do correio eletrônico, ainda é possível
descobrir com mandados de busca e apreensão, por exemplo. O Google também tem
as informações salvas no rascunho do e-mail, segundo Cerdeira.
GOOGLE
Procurado pela reportagem o Google no
Brasil afirmou que "a extensão gmail.com é da empresa Google, que tem sua
política de negócios e privacidade próprios, sobre a qual não temos como
responder".
A defesa de Mônica fez um registro em
cartório da existência de um e-mail fictício pelo qual ela disse que se
comunicava com a ex-presidente. O registro foi feito em 13 de julho de 2016 em
um cartório de Curitiba. O casal ainda estava preso nessa data. O documento do
cartório foi anexado como prova do relato feito por Mônica.
Na página de rascunhos do e-mail
aparecia uma mensagem dizendo: "Vamos visitar nosso amigo querido amanhã.
Espero não ter nenhum espetáculo nos esperando. Acho que pode nos ajudar nisso
né?".
Mônica afirma que essa mensagem foi
escrita por ela quando deixou a República Dominicana para se entregar à Polícia
Federal no Brasil. Dilma não teria lido a mensagem.
O
registro em cartório foi usado ainda em relação a um e-mail que teria sido
recebido pelo casal poucos dias antes de ter a prisão decretada. Mônica diz que
salvou esta mensagem no computador para mostrar ao marido depois. O registro
ficou em um arquivo Word em um computador de Mônica que ela deixou na República
Dominicana. O equipamento foi entregue no âmbito da delação.
O
texto da mensagem diz: "O seu grande amigo esta muito doente. Os médicos
consideram que o risco é máximo, 10. O pior é que a esposa, que sempre tratou dele,
agora está com câncer e com o mesmo risco. Os médicos acompanham os dois, dia e
noite". De acordo com a delatora, Dilma foi quem escreveu a mensagem, como
forma de alertar o casal sobre o avanço das investigações. Este registro foi
feito em 20 de maio de 2016 em São Paulo, com o casal ainda na prisão.
Segundo
Mônica Moura, quem escolheu o nome "Iolanda" para o e-mail foi a
própria Dilma, em referência à mulher do ex-presidente Costa e Silva, que
dirigiu o país durante a ditadura militar. O nome da mulher de Costa e Silva
era Iolanda Barbosa.A delatora disse ainda que a senha, para não esquecer, era
o nome de alguém lidado a Dilma e o ano de nascimento dela, 47.
O Globo

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