A
Justiça Federal em Mato Grosso determinou a suspensão do leilão da Usina
Hidrelétrica São Manoel, marcado para a próxima sexta-feira (13), até que seja
julgado o mérito sobre a anulação da licença prévia expedida para o empreendimento.
Na decisão, o juiz Ilan Presser, da Primeira Vara da Justiça Federal em
Mato
Grosso, fixou multa de R$ 500 mil em caso de descumprimento da liminar, que
deve ser cumprida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
A ação
cautelar, proposta pelo Ministério Público Federal, pede que o leilão seja
suspenso até que seja julgado o mérito pela nulidade da licença prévia da
usina. Segundo o MPF, o empreendimento terá impacto na vida dos povos indígenas
Kayabi, Munduruku e Apiaká. Além disso, o Estudo do Componente Indígena (ECI)
feito para a usina, que é necessário para a obtenção da licença, estaria
incompleto.
De
acordo com o juiz Ilan Presser, a decisão não tem como objetivo substituir a
vontade do governo nas escolhas da matriz energética do país ou na conveniência
de realizar os leilões com celeridade, mas apenas de "resguardar
interesses legítimos, tanto dos povos indígenas quanto dos investidores que almejam
participar do leilão".
Ele
também ressalta a importância econômica, ambiental e sociocultural do Rio Teles
Pires para toda a região onde se localiza a obra, principalmente para as
populações indígenas diretamente afetadas pela instalação da Usina Hidrelétrica
São Manoel.
"Seria
temerário, no estado em que o ECI se encontra, prosseguir na realização do
leilão, já que se corre o risco de, posteriormente, serem declarados nulos os
atos de licença prévia e o leilão realizado, com vilipêndio ao princípio da segurança
jurídica para todas as partes interessadas", disse o juiz, em sua decisão.
A
Hidrelétrica São Manoel, prevista para ser construída no Rio Teles Pires, em
Mato Grosso, terá potência de 700 megawatts. A licitação deveria ocorrer
durante o 2º Leilão de Energia A-5/2013, que será realizado pela Agência
Nacional de Energia Elétrica (Aneel), marcado para sexta-feira.
EBC
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