A enchente do rio Negro continua
preocupando comerciantes e moradores das áreas alagadas. Na sexta-feira, o rio
chegou a 29,50 metros e ultrapassou em um centímetro a previsão do Serviço
Geológico do Brasil (CPRM), que no primeiro alerta, emitido em maio, é que o
rio Negro chegaria à marca 29,49 metros. No ano passado, a cota ficou em 29,33
metros.
No Centro, Amazonas, as ruas Barão de
São Domingos e dos Barés seguem interditadas em decorrência da enchente. Além
das ruas, a parte de trás do prédio da Alfândega já foi afetado e um dos
esgotos da praça Tenreiro Aranha começou a transbordar.
Segundo o comerciante Pedro
Malta de Lima, 48, o rio está demorando para baixar e isso tem deixado as
pessoas que trabalham no Centro preocupadas, pois significa mais prejuízos. “O
rio baixou e durante esses últimos dias voltou a subir”, disse o comerciante.
A aposentada Odete Souto,
65, conta que, no período da enchente evita ir à feira, no Centro, porque o mau
cheiro da água e o trânsito nas ruas interditadas causam muitos transtornos.
“Normalmente eu venho três vezes por semana, mas nesse período da enchente
venho somente duas, às vezes uma só, para evitar essa confusão”, explicou a
aposentada.
Ainda segundo o comerciante Pedro,
em outros anos, no início de julho, o rio não estava enchendo mais e as águas
começavam a baixar gradativamente. O comerciante se disse preocupado,
principalmente com os próximos anos, porque as grandes enchentes têm ocorrido
com mais frequência.
Recorde
A maior cheia da região
ocorreu em 2012, quando o rio Negro atingiu 29,97 metros. A segunda maior
aconteceu em 2009 e chegou a 29,77 metros. Atrás dela ficou a ocorrida em
1953, quando o rio Negro atingiu a marca de 29,69 metros.
No início de junho, o
encarregado do Serviço Hidrológico do Porto de Manaus, Valderino Pereira da
Silva, que monitora o comportamento do rio Negro há 45 anos, disse que o rio
apresentava sinais característicos de início de vazante.
Para o comerciante Roberto
Mendes, 58, todas essas mudanças estão acontecendo por culpa do próprio homem,
que mesmo vendo os sinais da natureza, continua poluindo, fazendo obras que
afetam o meio ambiente. “Essa é a resposta da natureza e, se continuar, assim
vamos ter enchentes ainda maiores”, acrescentou Roberto.
Igarapé
Tarumã transborda
Assim como os comerciantes
do Centro, os moradores do bairro Tarumã também estão ansiosos pelo fim da
enchente, que fez com que nove famílias precisassem deixar as casas e construir
barracos em uma parte do terreno vizinho. Para conseguir cozinhar, tomar banho
e lavar roupa, as famílias gastam R$ 20 por semana para ter água.
Segundo os moradores, as
casas estão todas alagadas pelo igarapé do Tarumã e, enquanto o nível da
água não baixar, é impossivel voltar para o local.
De acordo com a dona de
casa Ericleide Côrrea, 32, que está morando com os cinco filhos e o marido em
um barraco improvisado, com um único cômodo, este ano as águas do igarapé estão
demorando muito para baixar e, por enquanto, é impossível sabem quando eles
poderão voltar para casa. “Há quatro anos passo por isso, mas este ano está
demorando um pouco mais”, acrescentou a dona de casa.
Ainda de acordo com
Ericleide, a Defesa Civil esteve no local uma vez e os moradores receberam o
aluguel social oferecido pela Secretaria Municipal de Assistência Social e
Direitos Humanos (Semasdh) só um mês. “Esse apoio foi pago só um mês, por
enquanto estamos fazendo o que é possível e esperando as águas baixarem para voltar
pra casa”, disse a moradora.
O irmão de Ericleide,
Erivaldo Côrrea, 39, lembra que, além da preocupação com o avanço da água, os
moradores não sabem como vão consertar as casas quando o igarapé baixar, pois a
estrutura da maioria das residências foi prejudicada.
A cheia do igarapé Tarumã,
que já está quase alcançando a ponte da estrada da Vivenda Verde, também já
prejudica o acesso de veículos a parte dos ramais do bairro, onde a pista está
sendo invadida pela água.
Atendimento
da Semasdh
De acordo com a Defesa
Civil, o trabalho agora tem se concentrado no monitoramento do rio, pois já foi
realizada a construção das pontes e as 3 mil famílias afetadas estão sendo
atendidas pela Semasdh. No Centro, está sendo despejado cal na água, para
evitar mau cheiro, contaminações e prevenir doenças.
Em números
16 é o total de bairros
atingidos pela enchente em Manaus, segundo a Defesa Civil. Eles ficam,
principalmente, nas zonas Leste, Sul e Oeste. Em 2013, a enchente afetou 14
bairros da capital, muitos na Zona Sul, que esse ano recebeu apoio do Prosamim.
A Crítica
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