Dez deputados estaduais assinaram
nesta quarta-feira (05), o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) para investigar crimes de pedofilia no Amazonas. Para a
abertura da CPI, são necessárias, no mínimo, oito assinaturas, que representam
1/3 dos 24 deputados da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM).
Os quatro deputados autores
do pedido de CPI, Luiz Castro (PPS), Chico Preto (PMN), José Ricardo (PT) e
Marcelo Ramos (PSB), disseram que ainda aguardam a manifestação de outros
parlamentares que queiram subscrever o documento para formalizá-lo junto à Mesa
Diretora da ALE-AM nesta quinta-feira (06).
As acusações de crimes sexuais contra crianças
e adolescentes que pesam contra o prefeito de Coari (370 quilômetros de
Manaus), Adail Pinheiro (PRP), foram o ponto de partida da apresentação do
pedido de abertura da comissão. Outros casos que serão apurados serão os
revelados pela operação Estocolmo, que estão sendo julgados pelo Tribunal de
Justiça do Amazonas (TJ-AM), e a denúncia de exploração sexual de garotos nas categorias
de base do futebol de Manausdenunciadas no dia 12 de janeiro pelo
caderno Craque de A CRÍTICA.
Prefeito Adail Pinheiro responde a quatro processos judiciais por pedofilia
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Os quatro autores da proposta se
revezaram, ontem, na tribuna da ALE-AM, no primeiro dia de trabalho do
Legislativo neste ano, defendendo a investigação. “Temos uma quadrilha no
poder. Não podemos lavar as mãos sobre as denúncias”, disse Luiz Castro, que
completou com ironia: “Há algo de podre no reino de Coari”.
Chico Preto disse que a ALE-AM tem que tomar uma providência. “Penso que cabe um
posicionamento desta Casa, bem como de outras entidades na luta contra a
pedofilia. A luta é contra a pedofilia não é político-partidária contra A, B ou
C”, disse o deputado.
A proposta de abertura de
CPI não passou sem críticas na Casa. O líder do governo, Sinésio Campos (PT),
disse que o pedido só teria sua assinatura se a investigação não fosse em ano
eleitoral. Segundo ele, a comissão poderá ser usada de forma eleitoreira. “E aí
desqualificaria uma CPI”, disse. “Se for ‘CPI Adail’ já perdeu a eficácia tendo
em vista que tanto o Congresso Nacional quanto o Ministério Público e o TJ já
têm elementos necessários”, afirmou, referindo-se a CPI da Pedofilia na Câmara
dos Deputados e as denúncias que tramitam na Justiça.
Já a deputada Conceição
Sampaio (PP), que subscreveu o pedido, disse que considera os escândalos de
pedofilia uma mancha na história do Amazonas e que é preciso fazer o
enfrentamento ao crime. “Acho que é dever da Casa, e reafirmando a posição do
meu partido, a luta para combater a pedofilia no Amazonas”, disse.
Deputado
cobra ação do MPE
O deputado Marcelo Ramos disse que Adail
Pinheiro tem vozes em sua defesa nos bastidores e cobrou do Ministério Público
a prisão preventiva do prefeito. Segundo o parlamentar, há indícios suficientes
para a prisão do prefeito. “O procurador Francisco
Cruz precisa se explicar. Por que o MP ainda não pediu a prisão do prefeito?”,
questionou. “O MP dá ótimas declarações, só não faz o que deve fazer”, afirmou.
Procurado por A CRÍTICA,
Francisco Cruz disse que não segue pauta política. “Minha agenda é jurídica”,
disse. “Lamento que algumas pessoas queiram aproveitar a dor e a infelicidade
das crianças pobres, vítimas dos desvios sexuais do prefeito Adail”, disse
Cruz.
‘Não pode
ser uma obra do momento’
O deputado Washington Régis
(PMDB) disse que a CPI não pode ser uma obra do momento, citando a repercussão
dos crimes de Adail Pinheiro nacionalmente após a veiculação, durante três
semanas seguidas, de reportagens denunciando o prefeito no Fantástico.
Chico Preto disse que o
programa não “requentou os fatos”. “Há fatos novos”, acrescentou. Arthur
Bisneto (PSDB), por sua vez, disse que espera que a CPI chegue aos responsáveis
pelos crimes e lembrou que participou da primeira CPI que investigou Adail
Pinheiro na ALE-AM e que foi arquivada em 2008. José Ricardo quer saber de onde
vêm os recursos para a defesa de Adail, que, segundo ele, declara patrimônio
incompatível.
A Crítica
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