O presidente do Tribunal de
Justiça do Amazonas (TJAM), desembargador Ari Moutinho, negou nesta
quarta-feira (05) a existência de um esquema de blindagem aos processos
envolvendo o prefeito de Coari (a 370 quilômetros de Manaus), Adail Pinheiro. O
magistrado, contudo, admitiu a morosidade da Justiça do Estado no julgamento
desses casos. E apontou o Ministério Público do Estado (MPE), o trabalho
investigatório da polícia e a falta de estrutura do TJ-AM como os culpados pela
demora.
Em entrevista coletiva realizada nesta
quarta-feira na sede do TJAM, Ari Moutinho informou que, atualmente, existem 56
processos tramitando na Justiça do Amazonas em que Adail Pinheiro figura como
parte. Em quatro deles, o prefeito de Coari aparece como investigado por
envolvimento em esquema de exploração sexual infanto-juvenil.
“Três processos estão na
fase de inquérito policial. Ganharam um número de distribuição, mas voltaram a
fase de investigação, após ter sido solicitadas novas provas. O próprio
Ministério Público pede novas investigações, o que é normal, para esclarecer e
trazer novas provas para o processo”, disse Moutinho.
O processo judicial nº
0001704-12.2013.8.04.0000, por exemplo, que trata sobre pedofilia, tramita há
seis anos no Judiciário amazonense. A ação foi aberta em junho de 2008 após
investigação da Polícia Federal. Em junho de 2009 o MPE solicitou a Justiça novas investigações a serem feitas pela Polícia Civil do Amazonas.
Conforme consta nos autos,
a polícia demorou três anos para apresentar novos elementos ao TJ-AM. A Justiça
levou mais 30 dias para escolher um desembargador como relator. Dez meses após
a chegada das novas provas, em outubro de 2013, o Tribunal de Justiça
apresentou os novos dados ao Ministério Público, que pediu novas investigações,
desta vez pela Polícia Federal. Em dezembro de 2013 a Policia Federal informou
a Justiça que não possuia dados para abrir novas diligências e o processo
voltou às mãos do desembargador-relator.
Outros dois processos
investigatórios estão na mesma situação. Segundo Moutinho é necessário a
apresentação das provas para que o MPE formalize a denúncia e somente então o
Tribunal de Justiça comece o julgamento do caso.
Ari Moutinho diz que não há
possibilidade desses três processos prescreverem.
‘Morosidade
é problema nacional’
A falta de estrutura e de servidores do
Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) é um dos fatores que causa a morosidade
na investigação dos processos envolvendo o prefeito Adail Pinheiro (PRP), segundo o presidente do TJAM,
Ari Moutinho.
“Reconheço que é visível a
demora de alguns processos, mas eu seria leviano ao dizer que isso tem como
objetivo blindar os processos do prefeito Adail. (...) A morosidade no
Judiciário é um problema nacional”, disse o desembargador.
O presidente disse que o
TJ-AM é um “tribunal muito grande, mas com poucos servidores” e que isso
atrapalha o andamento de todos os processos. O tribunal conta com um orçamento
de R$ 520 milhões para 2014.
Conforme o desembargador,
um processo investigatório foi instaurado no tribunal para detectar possíveis
atrasos na tramitação de processos envolvendo o prefeito Adail Pinheiro, mas
não foi constatada nenhuma irregularidade. O processo investigatório foi
instaurado após as deputadas Érika Kokay (PT-DF) e Lilan Sá (PR-RJ), presidente
e relatora, respectivamente, da CPI da Pedofilia, da Câmara, afirmarem que o
TJ-AM estaria fazendo uma “blindagem” aos casos envolvendo o prefeito de Coari.
A Crítica
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