| Keven e Maria Clara foram mortos pelas mães com crueldade e friezaMontagem/ Reprodução/vídeos |
Keven Gomes Sobral, de 2
anos, encontrado morto dentro de um sofá. Maria Clara
Zortea Ramalho, de 7 anos, espancada, colocada ainda
com vida no porta-malas de um carro, enterrada em um matagal. Crianças que
perderam a vida por crimes cometidos por aquelas em quem mais confiavam. As
próprias mães. O assassinato de filhos é um crime chocante, em todas as suas
implicações. Os casos que vieram à tona esta semana são ainda mais
estarrecedores, pelas circunstâncias em que ocorreram.
Keven foi jogado contra a
parede por Marília Cristina Gomes, de 19, em Ibirité, na Grande Belo Horizonte.
A mãe chegou a dar queixa de desaparecimento do menino, que foi encontrado morto,
dois dias depois, dentro de um sofá, na casa de parentes. Marília confessou o
crime.
Maria Clara estava desaparecida
desde março. Morreu pelas mãos da mãe, Vanessa Aparecida Ramos do Nascimento, e
sua amiga Giulia Albuquerque, após sofrer uma série de espancamentos, que,
segundo depoimento de Vanessa, na terça-feira (29), à polícia de Cascavel, no
Paraná, era parte de um plano espiritual de Deus. Para a mãe, a garota era
possuída por demônios.
Segundo o psiquiatra forense
Guido Palomba, em sua vasta experiência na área, nenhuma mãe que mata o filho é
normal mentalmente. O que elas têm? As mais variadas doenças mentais. Retardo
mental, alcoolismo, toxicomania, encefalopatia, esquizofrenia, epilepsia.
— Posso concluir que em todos
os casos de mães que matam filhos, se procurar, se examinar convenientemente a
mãe, vai aparecer um transtorno. Nunca vi uma pessoa em sã consciência matar o
próprio filho.
Segundo o psiquiatra Estevam
Vaz, o tipo de transtorno de personalidade que mais se associa a assassinatos é
o chamado transtorno de personalidade dissocial, antigamente chamados
simplesmente psicopatas, especificamente psicopatas frios de afeto.
— Esses indivíduos têm uma
espécie de "mente monstruosa", o que fica mais gritante ainda nesses
dois casos, pois, além do caráter psicopático, trata-se de um assassinato
específico - filhos. Deve haver também motivações específicas, mas a natureza
psicopática da ação está na base, qualquer que sejam as motivações.
O filicídio — homicídio de
filhos cometido tanto pela mãe quanto pelo pai — é a denominação usada para a
conduta, mas não encontra tipificação legal, ou seja, não está desta forma
previsto em lei. O Código Penal Brasileiro, em seu artigo 123, contempla apenas
o Infanticídio, que é o ato de matar o próprio filho sob a influência do estado
pós-parto. A pena prevista é de detenção de dois a seis anos.
— O Infanticídio é o crime
cometido pela mãe que mata a criança, a grosso modo, até o primeiro mês e meio
de vida do filho. A causa é sempre psiquiátrica, a psicose puerperal, um
transtorno mental grave que acomete mulheres nesta fase após o parto.
Passou disso, aí é assassinato
de filho mesmo, homicídio, artigo 121 do Código Penal, com todas as
agravantes previstas em lei. Segundo explica o psiquiatra Guido Palomba, quando
há esses crimes, de mães que matam, o juiz instaura um incidente de insanidade
mental. Um perito criminal vai examinar a ré, e determinar o grau de
imputabilidade penal, ou seja, o quanto aquela mulher é capaz de ter
discernimento do que fez. O desfecho mais comum é a inimputabilidade por doença
mental. Em vez de cadeia, essas mulheres acabam condenadas a tratamento em
manicômios judiciários.
Mesmo em um caso como o da
menina Maria Clara, morta em um ritual de purificação, é esperado que a mãe
seja considerada mentalmente incapaz.
— Isso é uma verdadeira loucura,
matar para espantar o demônio. A pessoa vê na criança um ser maligno, é um caso
de delírio mágico, místico, religioso, e normalmente está ligado ao retardo
mental e à epilepsia. É a verdadeira epilepsia psicótica, afirma o psiquiatra
forense, um dos mais renomados do país.
Normalmente, o filicídio ocorre
em um surto, um rompante. Mas também é possível falar em premeditação. Segundo
o dr. Guido Palomba, o doente mental também premedita, de forma mórbida,
delirante, doentia. Há uma lógica torpe. Ele sabe o que está fazendo, por mais
macabro que seja, mas acha que está fazendo o certo. Entre a normalidade
mental e o delírio, ele vai ficar com o delírio, e aquela é a verdade e o
certo para ele.
Para o dr. Guido Palomba, todos
os crimes, sem exceção, são fotografia exatas e em cores do comportamento do
indivíduo.
— Como quem manda no
comportamento é o psiquismo, se soubermos ver esta foto é possível esclarecer a
conduta como própria de alguém que tem transtorno mental.
R7
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